Meus 31 dias de Ernesto[1]
Difícil saber se o dia está
começando ou a noite terminando. O sono, fracionado, me deixa confusa. A noite é
longa, entremeada de ruídos . Ouço as vozes dos enfermeiros e das companheiras
de quarto, gemidos, luzes que se acendem a qualquer instante, portas que
batem.
-Vou colocar o seu antibiótico,
mas pode continuar a dormir. Quando terminar eu virei retirá-lo, não se
preocupe.
- Está com dor? Vou trazer um
remedinho para dor.
Não saberia dizer quantas horas
havia dormido nem quantas vezes havia acordado. Mas sei que a noite está
acabando - ou o dia começando - quando ouço a voz que sussurra no meu ouvido:
- Oi, vou medir sua glicose. Me dê o
dedinho, faz favor.
Nada como começar o dia - ou
acabar a noite- com um furo no dedo justo na hora em que o sono está tão bom.
- Sua glicose é 78, a
temperatura é 36,9 e a pressão está 12,9 por 7,6. A senhora está muito bem hoje.
Agora tome seu omeprasol e o puran. Em seguida meu colega vem lhe aplicar
o antibiótico. Um bom dia para a senhora, que o meu turno termina agora.
Respondo o bom dia, agradeço os
cuidados e desejo-lhe um bom descanso. E penso que a bactéria que se instalou
no meu pulmão é que vai bem. Resistente aos antibióticos, não quer ir embora. Quem
sabe agora com o novo remédio?
Tento
dormir mais um pouco, mas não consigo. O dia já começou. Em seguida a moça virá
com o café. Tomara que não esqueça de me trazer água, pois só tomo café preto e
ela sempre me traz leite. As companheiras
gemem e se queixam, acho que estão em pior situação que eu.
Em seguida vem o moço do
laboratório. Diz que vai “colher” sangue para outros exames. E eu que pensava
que a gente só colhia flores! Mais uma picada. Ou várias, pois as veias, medrosas,
teimam em se esconder.
Chega o café. E a água. Fico bem
feliz. Nestes meus 31 dias de Ernesto aprendi a ficar feliz com um café preto
solúvel. Logo eu, que em casa só quero tomar um Nespresso.
Entra então uma linda enfermeira
ruiva, cabelos cor de fogo (ela me falou que são naturais) e me diz que mais
tarde virá me buscar para fazer uma tomografia. Aprendi que, no hospital, mais
tarde é mais tarde, não se sabe
quando. Pode ser dentro de dez minutos ou duas horas ou até mesmo à tardinha.
Pego o celular e respondo as mensagens de whatsapp, conto para minha filha como
foi a noite, as novidades do hospital e também o filme que vi no Netflix na
noite anterior. Ela me trouxe um tablet
com internet e tudo para que eu me distraia. Vejo que está bem preocupada
comigo. Diz que virá em seguida.
E assim vão passando meus dias e minhas
noites de Ernesto, entre antibióticos e exames. Entre médicos e enfermeiros. Comparo a bactéria no meu pulmão com o Temer. Canso de dizer para ela
“ Fora Bactéria”, mas, do mesmo modo que o “Fora Temer” que o Brasil todo grita e o Temer não ouve, ela se também se faz de surda[2].
“ Fora Bactéria”, mas, do mesmo modo que o “Fora Temer” que o Brasil todo grita e o Temer não ouve, ela se também se faz de surda[2].
O melhor momento do dia é quando aparece o Dr .
Felipe, jovem médico de olhar doce e sorriso meigo, que me dá várias
explicações sobre esta bendita pneumonia e suas complicadas complicações com
nomes difíceis, também complicadíssimos, como “empiema”, por exemplo. E ainda responde
minhas mensagens de whatsapp - quando vens me ver? - e me tranquiliza. Fala dos
próximos procedimentos e me pede paciência. Sempre diz que tudo vai dar certo.
E deu!
E deu!
Finalmente, depois destes 31 dias
de Ernesto, entre idas e vindas, a boa notícia:
- Vais ter alta hoje!
E me mostra os exames. A bactéria foi vencida!
Adorei!! Fico feluz que venceste a bactéria e fizestevdo limão uma bela e gostosa limonada, o texto! Beijo, amiga!
ResponderExcluirEm frente, amiga, sempre! Não sabia que a batalha tinha sido tão dura. Agora é se recuperar completamente para aproveitar Paris! Beijão
ResponderExcluirAgora falta o Temer...
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