domingo, 23 de março de 2014

 O anel da cigana e o pastel do mercado

-Opa! Tu por aqui?Que andas fazendo?
--Tudo bom, cara? Vim resolver um assunto no banco, mas... nem te conto. Olha só,eu estava indo em direção ao Banrisul , ali na Praça da Alfândega, e uma cigana veio atrás de mim: _” Bamos a ler la mano, a ver la suerte? Hai una rúbia en tu vida, no?” Na hora lembrei da Ritinha, o cabelo cor de fogo, sempre fugindo de mim. --“ Não, não acredito em ciganas, não quero saber do futuro, gracias”. Mas ela insistiu, sabes como são essas ciganas. E veio atrás de mim --“ deja-me ler tu mano, te asseguro que la rúbia volverá para ti.”
--E aí, caíste na conversa da cigana? Embora estejas de olho na Ritinha, sei que sempre tiveste uma queda por morenas de olhos verdes, do tipo cigano, confessa.
--Verdade, e essa cigana era muito bonita, cabelos negros, olhos verdosos, pele morena, cheirosa... Quem sabe outro dia, hoje eu tinha pressa, não queria saber de conversa de cigana, por mais linda que ela fosse. Apressei o passo, mas ela correu, me puxou pelo braço e me deu um anel dourado com uma pedra verde. Colocou o anel na palma da minha mão, fechou meus dedos sobre ele e falou: --“Guarda contigo, que vá te trazer mucha suerte!”
Dei a ela uma nota de dez reais, fui ao banco e, rapidamente  resolvi meu problema. Tirei então o anel do bolso, olhei pra ele e pensei – pois não é que o anel me deu sorte? Deu tudo certo. Só falta encontrar a Ritinha,” la rúbia de mis sueños”, pensei, guardando o anel.
--E aí, encontraste a Ritinha?
--Não, infelizmente. Saí do banco, até passei na Renner da Rua da Praia, onde ela trabalha, mas ela não estava. Foi quando dei pela falta do anel. Virei os bolsos do avesso e... nada. O anel não estava mais comigo.
-- Como? Perdeste o anel?
--Pois não é? Voltei, procurei por todos os lugares que eu havia passado, vasculhei as calçadas, os paralelepípedos das  ruas, os canteiros da Praça... nada... não encontrei nada. Cansado e com fome fui até ao Mercado Público para fazer um lanche. Não parava de pensar no anel da cigana! Onde estaria? Pedi um suco e um pastel. O suco estava bom. E o pastel... ah, o pastel era  s-e-n-s-a-c-i-o-n-a-l ! A massa  era crocante, excelente,mas o recheio... não vais adivinhar o que havia no recheio do pastel!
--Já sei,  o anel! O anel estava dentro do pastel?

-- O anel? Claro que não , cara. Como é que o anel ia estar dentro do pastel, se eu perdi o anel na rua? O pastel era de carne, cara, mas que carne! Macia, deliciosa, bem temperada! Acho que vou lá pegar outro pastel. Vem comigo?

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