A Irmã Elvira
Anos cinquenta, cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai.
Marinalva e Maria Luiza no colégio das freiras , uma no primeiro ano ,a outra no terceiro. Blusa branca, saia pregueada azul-marinho, um tope de fita na gola da blusa , sapatos pretos bem fortes ( para durar ) e carpins brancos, que era como se chamavam as meias naqueles tempos.
A professora da Marinalva não era freira, mas a da Maria Luiza era a Irmã Elvira, uma freirinha alta, brincalhona. Era muito jovem, Maria Luiza não percebia isso. Só via o rosto da professora, sem um fio de cabelo aparecendo, debaixo daquele véu preto, com outro branco por baixo, tudo muito engomadinho.
Anos setenta, as menininhas cresceram.
A Marinalva, arquiteta, morando na capital e a Maria Luiza, professora de Matemática, morando numa cidade do planalto, as duas agora bem longe da cidadezinha da sua infância.
Na escola, Maria Luiza fez muitas amizades, conversadeira, falava com todo mundo. Gostava muito de conversar com a Zilda, professora de Português.
--Maria Luiza, quando eras criança, não estudaste num colégio das freiras, lá na fronteira ?
Tu e a tua irmã? Tens uma irmã mais nova, não?
-- Sim, claro, estudamos lá, desde o Jardim da Infância.
-- A tua mãe não era professora no Grupo Escolar?
_ Vocês moravam pertinho do colégio ,não é?
-- Sim, mas como sabes disso ? Não sabia que eras de lá, pensei que fosses daqui mesmo!
Foi quando a Zilda disse:
-- É que eu fui tua professora no terceiro ano.
-- Impossível, lembro muito bem da minha professora do terceiro ano. Era a Irmã Elvira!
E a Zilda, agora falando bem baixinho:
-- É que eu era a Irmã Elvira!
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